Setembro é o mês do Setembro Amarelo, campanha nacional de prevenção ao suicídio que, em 2026, tem como tema “Escutar é estar presente”, conduzida pelo Centro de Valorização da Vida (CVV). Apesar de já ser uma campanha conhecida, ainda circulam muitas ideias equivocadas sobre saúde mental e sofrimento emocional — inclusive entre mulheres na faixa dos 35 aos 60 anos, que enfrentam camadas específicas de sobrecarga emocional nessa fase da vida.
Separar mito de verdade importa porque crenças erradas afastam pessoas da ajuda que precisam, tanto para si mesmas quanto para quem está ao redor.
Mito: falar sobre suicídio “planta a ideia” na cabeça de alguém
A verdade é o oposto: perguntar diretamente sobre pensamentos suicidas, de forma acolhedora, não aumenta o risco — pelo contrário, costuma trazer alívio para quem está sofrendo, por sentir que pode falar sobre isso sem julgamento. O silêncio, não a pergunta, é o que isola quem está em sofrimento.
Mito: sofrimento emocional na meia-idade é “só uma fase hormonal”
Resposta direta: sintomas emocionais na perimenopausa e na menopausa são reais e frequentemente têm componente hormonal, mas isso não significa que devam ser minimizados ou tratados como algo que “passa sozinho”. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou 15.507 mortes por suicídio em 2021, uma média de 42 por dia — números que reforçam a importância de levar sinais de sofrimento a sério, independentemente da causa aparente.
A armadilha de misturar tudo em uma explicação só
Atribuir toda mudança de humor, tristeza ou desânimo apenas aos hormônios pode atrasar a busca por ajuda quando o quadro é, na verdade, uma depressão ou ansiedade que merece acompanhamento específico — hormônio e saúde mental não se excluem, podem coexistir.
Verdade: quem já pensou em desistir da vida uma vez pode pensar novamente, e isso não é fraqueza
Pensamentos suicidas podem ser recorrentes ou pontuais, e isso não define o caráter ou a força de uma pessoa. Tratar esse tipo de pensamento como algo a ser escondido por vergonha é um dos fatores que mais atrasam a busca por apoio.
Mito: só psiquiatra ou psicólogo pode ajudar nesse momento
A verdade é mais ampla: além de profissionais de saúde mental, o CVV oferece apoio emocional gratuito, sigiloso e voluntário, por telefone (188), chat e e-mail, 24 horas por dia — um primeiro ponto de escuta acessível para quem precisa conversar antes mesmo de conseguir uma consulta especializada.
Verdade: perguntar “você está bem de verdade?” pode fazer diferença real
Uma coisa que aprendi ao criar este espaço é que muitas mulheres carregam sofrimento emocional em silêncio justamente porque ninguém perguntou de um jeito que parecesse seguro para responder com honestidade. Uma pergunta genuína, seguida de escuta sem pressa para dar conselhos, vale mais do que parece.
O que fazer se você ou alguém que você ama está em sofrimento
- Ligue para o CVV (188), disponível 24h, de forma gratuita e sigilosa
- Procure um profissional de saúde mental para acompanhamento contínuo
- Evite minimizar o que a pessoa sente com frases como “isso vai passar” sem oferecer escuta real
- Mantenha contato regular com quem está em sofrimento, sem esperar que peçam ajuda explicitamente
- Em caso de risco imediato, procure o SAMU (192) ou um serviço de emergência
Perguntas frequentes sobre Setembro Amarelo e saúde mental
Setembro Amarelo é só sobre suicídio, ou também sobre saúde mental em geral?
A campanha tem como foco principal a prevenção ao suicídio, mas isso inclui, de forma ampla, o cuidado com a saúde mental como um todo, já que o sofrimento emocional não tratado pode evoluir para quadros mais graves.
Sintomas de menopausa podem mascarar uma depressão?
Sim, isso é bastante possível — sintomas como oscilação de humor, cansaço e desânimo aparecem tanto na transição hormonal quanto em quadros depressivos, por isso a avaliação profissional é importante para diferenciar as causas.
O CVV substitui acompanhamento psicológico?
Não. O CVV oferece um espaço de escuta emocional em momentos de crise ou necessidade de conversar, mas não substitui o acompanhamento contínuo com psicólogos ou psiquiatras quando necessário.
Como abordar alguém que parece estar em sofrimento sem invadir?
Perguntas diretas e sem julgamento, como “como você está de verdade?”, seguidas de escuta genuína, tendem a funcionar melhor do que suposições silenciosas ou insistência para que a pessoa “se anime”.
Se depois de ler isso você pensou em alguém específico, talvez a ação de hoje seja simplesmente mandar uma mensagem perguntando como essa pessoa está — de verdade.
Sobre o Cora Cora News: Um espaço de acolhimento, informação e inspiração criado para mulheres que estão a redescobrir quem são — no corpo, nas emoções e na vida. Gerido por Gracy Mariano, nutricionista formada e especialista em marketing.
Este conteúdo tem caráter informativo e de acolhimento. Nenhuma informação aqui substitui a avaliação do seu médico ou profissional de saúde de confiança. Se você está em sofrimento, ligue gratuitamente para o CVV: 188. Atualizado em: 03/09/2026

